Eventos Adversos Pós-Vacinação

DEFINIÇÃO

Evento Adverso Pós-Vacinação pode ser definido como “Qualquer ocorrência clínica indesejável em indivíduo que tenha recebido algum imunobiológico”.

Todo evento que surge após a vacinação é inicialmente a ela relacionado, o que se denomina associação temporal. Significa dizer que até se confirmar a verdadeira causa, o sinal ou sintoma estará temporariamente associado à vacinação.

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A grande maioria dos eventos são locais e sistêmicos leves, por isso as ações de vigilância são voltadas para os eventos moderados e graves. Em raríssimas situações, o óbito pode ser em decorrência da vacinação.

Com a introdução de novas vacinas, e os avanços significativos em termos de cobertura, estas recomendações tornam-se cada vez mais necessárias. O aumento da cobertura vacinal tem contribuído, dentre outros fatores, para o aumento da ocorrência dos eventos adversos.

O manejo apropriado dos EAPV é essencial para se avaliar a segurança dos produtos (vacinas) e dar resposta rápida a todas as preocupações da população e trabalhadores da saúde relacionadas às vacinas.

Nenhuma vacina está livre totalmente de provocar eventos adversos, porém os riscos de complicações graves causadas pelas vacinas do calendário de imunizações são muito menores do que os das doenças contra as quais elas protegem. Mesmo no caso de vacinas mais reatogênicas a análise dos riscos comparativos entre a vacina e as doenças correspondentes mostram claramente os benefícios da vacinação.

 

CLASSIFICAÇÃO

“Após receberem as vacinas, as pessoas podem sentir algumas reações que são esperadas como febre, cansaço, dor e vermelhidão local” (TOSCANO E KOSIM, 2003, p. 37). Ainda de acordo com as autoras, estas reações apesar do incômodo provocado, são geralmente transitórias e não fazem mal. Normalmente acontece porque a vacina está estimulando a produção dos anticorpos e a defesa do nosso organismo.

Como qualquer produto biológico usado para profilaxia e tratamento, as vacinas não estão isentas de determinar eventos adversos, ainda que as vacinas modernas apresentem um excelente perfil de tolerabilidade e segurança. Diferentemente de drogas que são utilizadas no tratamento de doenças, o limiar de aceitabilidade de risco é muito menor para vacinas, que, como regra geral, são utilizadas em pessoas saudáveis, sendo a maioria crianças.

Essas “reações” podem estar relacionadas à composição da vacina, aos indivíduos vacinados, à técnica usada em sua administração, ou a coincidências com outros agravos e são normalmente classificados quanto a sua LOCALIZAÇÃO, GRAVIDADE e CAUSA.

De acordo com sua localização podem ser locais ou sistêmicos.

Segundo Malagutti (2011, p. 166): As reações adversas consideradas locais são as que ocorrem no local da aplicação do imunobiológico, como edema, vermelhidão, dor e nódulo. Já as reações sistêmicas acometem outros sistemas orgânicos, como febre, sonolência, irritabilidade, mialgia e episódio hipotônico-hiporresponsivo (EHH).

Quanto à gravidade, podem ser classificados quanto à intensidade em: grave, moderado e leve.

Evento grave
  • Hospitalização por pelo menos 24 horas;
  • Disfunção ou incapacidade significativa e/ou persistente (sequela);
  • Evento que resulte em anomalia congênita;
  • Risco de morte (necessidade de intervenção imediata para evitar o óbito);
  • Óbito.

 

OBS.: Os eventos adversos graves e/ou inusitados devem ser notificados por telefone imediatamente ao nível hierárquico superior, com a finalidade de alertar a vigilância e obter orientações quanto à investigação. 

Evento moderado
  • Quando necessita de avaliação médica e exames complementares e/ou tratamento médico, não se incluindo na categoria grave.
Evento leve
  • Quando não necessita de exames complementares e tratamento médico.

 

Os eventos também podem ser classificados quanto à causa em: a) induzido pela vacina: relacionados às características próprias dos componentes; preparo da vacina e resposta individual do vacinado, que não ocorreria sem a vacinação, b) potencializado pela vacina: que ocorreria independente da vacinação, mas foi precipitado por ela; c) erros programáticos: relacionados à técnica de preparação, manipulação ou administração da vacina, d) coincidente: associado temporalmente à vacina, o evento já existia no momento da vacinação, embora não manifesto ou não valorizado(BRASIL, 2003; FARHAT et al, 2007).

 

CONCEITOS GERAIS

A ocorrência de Eventos Adversos Pós-Vacinação relacionados com imunobiológicos administrados  é  monitorada  pelo  PNI. Mas, também tem sido observado, por parte dos profissionais que atuam principalmente nas áreas de saúde pública, epidemiologia, infectologia e imunizações, uma maior evidência na visibilidade quando da ocorrência de casos de eventos adversos pós-vacinais, ainda que em sua grande maioria benignos e transitórios.

Esse conhecimento está, cada vez mais, sendo de domínio da sociedade, e os clientes ou responsáveis buscam, consequentemente, ter informações sobre as possibilidades de aparecimento dos eventos adversos provocados por vacinas e como lidar com eles, uma vez que é reconhecido que os benefícios de uma vacinação em muito superam os riscos  de um possível evento adverso.

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POR QUE  ACONTECEM OS EVENTOS ADVERSOS PÓS-VACINAÇÃO?

Os eventos adversos pós-vacinação podem acontecer devido a aspectos relacionados aos vacinados ou à vacinação. Consideraremos aspectos relacionados aos vacinados aqueles que envolvem respostas do organismo do cliente. Quanto aos aspectos relacionados à vacinação, estaremos considerando, por um lado, os componentes da vacina, sua produção e a relação destes com a predisposição orgânica dos vacinados. Por outro lado, a técnica de preparo e de aplicação das vacinas também podem ocasionar eventos adversos.

Figura_1

    • Como identificar os fatores relacionados aos vacinados?

Alguns aspectos a serem considerados nos indivíduos que serão vacinados:

1.  A pessoa pode ter uma doença infecciosa em incubação. Ou seja, está doente e não apresenta ainda sintomas e, coincidentemente, estes sintomas aparecem após a aplicação da vacina.

2.  A pessoa tem tendência à convulsão quando apresenta febre alta. Neste caso, a convulsão se apresentaria com ou sem a vacinação, desde que aconteça febre alta (convulsão febril).

3.  A faixa etária deve ser considerada na administração das vacinas, pois algumas delas não podem ser administradas em determinada idade. Por exemplo DTP  em crianças com mais de 7 anos, devido ao risco de alterações neurológicas, por causa do componente contra a coqueluche (componente pertussis).

4.  A pessoa pode apresentar manifestações alérgicas, tais como urticária ou exantema com prurido, quando em contato com determinados componentes da vacina. Por exemplo, ao timerosal (mertiolate), ao glutamato de sódio, ou ao antibiótico presente na composição da vacina.

5. Pessoas com comprometimento imunológico, seja por doenças  congênitas, ou adquiridas (leucemia, AIDS). Em geral, não comparecem para a vacinação de rotina, devido a orientação médica. Elas podem apresentar sinais ou sintomas quando vacinadas com bactérias ou vírus vivos atenuados, presentes nas vacinas BCG, tríplice viral, pólio, entre outras. Quando vacinadas com vacinas mortas, como a DTP e a DT/dT, podem não desenvolver a imunidade esperada. A vacinação desses clientes deve ser orientada pelo Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIE) e, por profissional de nível superior (médico ou enfermeira).

    • Aspectos relacionados aos componentes da vacina:

Os eventos adversos induzidos pela vacina dependem das características próprias de seus componentes e de sua produção e, ainda, da relação destes com a resposta individual da pessoa vacinada.

Tipo ou cepa - a fração do agente que entra na composição da vacina e que poderá produzir uma vacina mais reatogênica (provoca mais reações) ou uma vacina menos reatogênica (provoca menos reações).

O meio de cultivo - meio onde o agente que fará parte da vacina será cultivado. Por exemplo, o ovo de galinha, onde o vírus da vacina do sarampo é cultivado, pode, em pessoas suscetíveis, provocar alergias.

Os antibióticos utilizados nos meios de cultura – como a neomicina, kanamicina, etc., que impedem o crescimento de micro-organismos contaminantes na vacina, podem, em pessoas suscetíveis, provocar alergias.

O processo de inativar/atenuar – deixar inerte, sem atividade ou atenuar, tornar menos potente, o micro-organismo usado na vacina, pode ser ineficaz, provocando, ao ser aplicada, sinais e sintomas da doença.

Substâncias agregadas durante a preparação e purificação da vacina – como os estabilizantes ou adjuvantes. É o caso do hidróxido de alumínio, que é agressivo a determinadas camadas do tecido orgânico, causando irritação e dor local.

Falhas durante o processo de produção das vacinas – pela contaminação ou qualidade inadequada de determinados componentes. Pode causar o aparecimento de abscessos.

    • Aspectos relacionados à técnica de aplicação da vacina:

Nestes aspectos estão sendo consideradas a preparação, a manipulação e a aplicação da vacina.

Na preparação, manipulação e aplicação das vacinas, alguns eventos adversos têm acontecido, devido à contaminação durante estas fases, ocasionando abscessos. Assim, você deve observar cuidados essenciais para que tais eventos sejam evitados.

Outro aspecto importante é quanto as normas de conservação que se faz através da Cadeia de Frio ou Rede de Frio, a qual vem desde o fabricante até a sala de vacina da unidade.

Clique aqui para acessar o Manual de Rede de Frio.

 

Referências:

  • MALAGUTTI, W. (Organizador). Imunização, imunologia e vacinas. Rio de Janeiro: Rubio, 2011.
  • Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica.  Manual de vigilância epidemiológica de eventos adversos pós-vacinação – Brasília: Ministério da Saúde, 2008.
  • FARHAT, C. K, WECKX, L.Y., CARVALHO, L. H. F., SUCCI, R. C. M. Imunizações: fundamentos e prática. 5ª ed. São Paulo: Atheneu; 2007.
  • Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Vigilância dos eventos adversos pós-vacinação: cartilha para trabalhadores de sala de vacinação. – Brasília: Ministério da Saúde, 2003.
  • TOSCANO, C. KOSIM, L. Cartilha de vacinas: para quem quer mesmo saber das coisas. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2003.
  • http://www.visa.goias.gov.br/post/ver/134395/eventos-adversos-pos-vacinacao