Tuberculose

A tuberculose é uma doença infecto-contagiosa. A lesão inicial, em 95% dos casos, ocorre nos pulmões, constituindo o foco primário. Em seguida, o agente infeccioso atinge os vasos linfáticos e invade os gânglios regionais, formando, assim, o complexo primário. A partir dos gânglios regionais, os bacilos podem se disseminar por via linfo-hematogênica, determinando as complicações mais graves da doença: as formas miliar e meníngea, que atingem, principalmente, os menores de um ano, levando-os com freqüência a óbito, sobretudo os desnutridos.

A intercorrência da tuberculose com outras doenças, como o HIV, o sarampo e a coqueluche, deprimem fortemente o sistema imunológico. A tuberculose continua sendo importante problema de saúde pública. Estima-se que em todo mundo 1,7 bilhão de indivíduos estão infectados, o que corresponde a 30% da população mundial. No Brasil, estima-se que 35 a 40 milhões de pessoas estejam infectadas, correspondendo a, aproximadamente, 100 mil casos novos por ano. O número de mortes é de três a quatro mil por ano. A associação com a Aids pode levar a um aumento da morbidade e da mortalidade pela tuberculose.

O agente infeccioso é um bacilo, o bacilo de Koch ou Mycobacterium tuberculosis.

O principal reservatório é o indivíduo doente, especialmente o bacilífero. O indivíduo infectado é o reservatório secundário.
Considera-se como fonte de infecção o indivíduo que elimina grandes quantidades do bacilo no escarro: são os bacilíferos. O gado bovino e outros mamíferos também são considerados fontes de infecção. Um indivíduo bacilífero, quando não submetido a tratamento, infecta cerca de cinco a 10 pessoas por ano e, de maneira geral, se mantém bacilífero por dois anos, até a recuperação espontânea, a cronificação da doença ou a morte. O doente crônico elimina bacilos por alguns anos. O bacilo perde a patogenicidade com o início do tratamento, dentro de 15 a 30 dias, aproximadamente.

A tuberculose é transmitida de pessoa a pessoa, por meio das gotículas de Wells que são eliminadas pela tosse, espirro e fala, principalmente pela tosse do indivíduo bacilífero.

O período de incubação é variável, podendo haver ou não um período de latência entre a infecção e o aparecimento da doença. O período de latência pode corresponder a alguns anos.  A doença é transmitida enquanto o indivíduo eliminar os bacilos selvagens, ou seja, bacilos que não sofreram ainda o efeito da quimioterapia.
A suscetibilidade é universal, sendo maior nos desnutridos, alcoólatras e indivíduos imunodeprimidos, como os portadores do HIV, o vírus da Aids.
A infecção, a doença e a vacina BCG conferem imunidade relativa e de duração variável. A vacina oferece proteção cruzada para comunicantes de doentes de hanseníase (contatos intradomiciliares). A criança portadora do HIV, positiva assintomática, e aquela cuja mãe é HIV-positiva, devem receber a vacina BCG o mais precocemente possível.

Referência: 

  • Bahia. Secretaria da Saúde. Superintendência de Vigilância e Proteção da Saúde. Diretoria de Vigilância Epidemiológica. Coordenação do Programa Estadual de Imunizações. Manual de procedimento para vacinação. Salvador: DIVEP, 2011.