Acidentes causados por Animais Peçonhentos

Os animais venenosos possuem veneno, mas não possuem mecanismo de inoculação. Já os animais peçonhentos além de venenosos, têm um mecanismo especializado de inoculação – a peçanha – que é utilizada como arma de caça ou de defesa. As glândulas de veneno se comunicam com dentes ocos, ou ferrões ou aguilhões por onde passa o veneno. São exemplos de animais peçonhentos as serpentes, aranhas, escorpiões, abelhas, arraias.

Os animais mais importantes, pela quantidade e gravidade dos acidentes que provocam, são:

a) as serpentes dos gêneros: Bothrops (jararaca), Crotalus (cascavel), Micrurus (coral), Lachesis (surucucu);
b) os escorpiões do gênero Tityus;
c) as aranhas dos gêneros: Phoneutria (aranha armadeira), Lycosa (tarântula, aranha de grama), Loxosceles (aranha marrom), Latrodectus (viúva negra).

 Manifestações clínicas

Serpentes

A) Jararaca (envenenamento botrópico)
A jararaca é conhecida, também, como caiçara, jararacuçu, urutu, jararaca-do-rabo-branco, cruzeira, cotiara, surucucurana do gênero Bothrops. Este tipo de serpente é responsável por quase 90% dos acidentes causados pela espécie, que podem, inclusive, levar à morte. A ação do veneno no organismo provoca manifestações locais precoces e tardias.

As manifestações precoces, que ocorrem de três a seis horas após o acidente, são:

a) dor imediata;
b) edema local;
c) calor e rubor no local da picada;
d) hemorragia no local da picada ou distante dele.
As manifestações tardias são:
a) bolhas;
b) abscesso local;
c) gangrena;
d) insuficiência renal aguda;
e) choque.

B) Surucucu (envenenamento laquético)

Os acidentes provocados pela surucucu, também chamada picode-jaca ou surucutinga, são muito raros no Brasil. O veneno da surucucu no organismo do acidentado provoca algumas reações semelhantes ao veneno da jararaca, tais como: edema no local da picada, diarreia, hemorragia, hipotensão e bradicardia.

C) Cascavel (envenenamento crotálico)
A cascavel, mesmo sendo responsável por 8% dos acidentes ofídicos, por ter um veneno muito potente, provoca acidentes com muita gravidade, levando à morte, caso não sejam tomadas providências imediatas.
A reação no local da picada pode passar despercebida e quando aparece limita-se a discreto edema ao redor do ferimento. A ação do veneno da cascavel no organismo provoca manifestações precoce três a seis horas depois do acidente e complicações.
São manifestações precoces:
a) dificuldade em abrir os olhos;
b) “visão dupla e/ou turva”;
c) “cara de bêbado”;
d) dor muscular;
e) urina avermelhada;
f) escurecimento da urina (depois de seis a 12 horas).
As complicações se caracterizam pela ocorrência de:
a) insuficiência renal aguda;
b) insuficiência respiratória aguda.
D) Coral (envenenamento elapídico)
Os acidentes com a serpente coral são pouco frequentes e correspondem a menos de 1% do total de acidentes no Brasil. A ação do veneno da coral no organismo é muito rápida, de grande potência e mortal se não for tratada a tempo. Os sintomas e sinais aparecem em questão de minutos, destacando-se os seguintes:
a) dificuldade em abrir os olhos;
b) “cara de bêbado”;
c) dificuldade respiratória;
d) dificuldade para engolir;
e) sialorreia (salivação abundante);
f) insuficiência respiratória aguda.

Escorpiões

 

Os acidentes causados por escorpiões são mais graves em crianças menores e pessoas idosas. As manifestações no local da picada são muito significativas: dor intensa em todos os casos e, às vezes, parestesia (dormência) no membro acometido. Os sintomas gerais se iniciam com vômitos, sudorese, náuseas, dor abdominal, diarreia e taquicardia, podendo evoluir com bradicardia, insuficiência cardíaca, edema agudo dos pulmões e choque, bem como sinais e sintomas neurológicos: agitação, sonolência, confusão mental, convulsões e coma.

As crianças com menos de sete anos e os idosos devem ser rigorosamente observados, durante seis a 12 horas: no caso do aparecimento de sinais e sintomas (mesmo leves) administrar o soro antiescorpiônico. As crianças com idade entre sete e 14 anos também devem ser observadas durante seis horas, no mínimo.
Os acidentes em adultos jovens raramente apresentam gravidade, com sintomatologia limitada à dor local, não havendo necessidade de tratamento específico com o soro. Nestes casos usar apenas analgésicos.

Aranhas

As aranhas venenosas mais comuns no Brasil são as armadeiras, as aranhas marrons e as tarântulas. A viúva negra é rara e sua picada é muito grave. As aranhas venenosas têm, geralmente, menos de 4 cm de tronco, não tecem teias simétricas, não são agressivas (exceto a armadeira) e suas presas são horizontais. As aranhas vivem em buracos de muros, beira de passeios, gramados, cachos de banana e entulhos.

Os acidentes com aranhas venenosas são mais comuns nos dias frios, nos períodos de chuva. O quadro clínico varia de acordo com o gênero, sendo importante seu reconhecimento:

a) as picadas por armadeira (gênero Phoneutria) produzem, de imediato, dor muito intensa no local atingido, seguindo-se o aparecimento de sudorese, vertigem, distúrbios visuais, calafrios, salivação e dificuldade respiratória;

b) as aranhas marrons (gênero Loxosceles) produzem dor no local da picada, acompanhada de edema, necrose, formação de crosta e eritema generalizado, podendo ocorrer insuficiência renal aguda, choque e morte;

c) as tarântulas (gênero Lycosa) provocam discreta lesão da pele com a formação de crosta, tendo pequena importância médico sanitário.

Referência: 

  • Bahia. Secretaria da Saúde. Superintendência de Vigilância e Proteção da Saúde. Diretoria de Vigilância Epidemiológica. Coordenação do Programa Estadual de Imunizações. Manual de procedimento para vacinação. Salvador: DIVEP, 2011.