Febre Amarela

A febre Amarela é uma doença infecciosa aguda de curta duração e de gravidade variável. A doença é súbita, apresentando-se com febre, dor de cabeça, prostração e vômitos. Os casos mais benignos apresentam quadro clínico indefinido e a forma grave caracteriza-se por manifestações de insuficiência hepática e renal, que podem levar à morte.

A doença possui dois ciclos epidemiologicamente distintos: o silvestre e o urbano. A febre amarela silvestre ocorre acidentalmente pela penetração do homem nas áreas onde o vírus circula entre hospedeiros naturais (macacos principalmente) e onde existe o vetor silvestre (mosquito). É encontrada nas regiões tropicais da África e América do Sul. Na África, onde tem maior disseminação, é endêmica em 34 países. Na América do Sul, nos últimos 20 anos, sua ocorrência tem sido registrada em nove países: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Paraguai, Peru, Venezuela e Argentina. A febre amarela urbana não ocorre no Brasil desde 1942.

O agente infeccioso é o vírus da febre amarela, um arbovirus, do gênero Flavivirus, da família Flavivirídae.

Na febre amarela urbana o homem é o único reservatório. Na febre amarela silvestre (nas florestas) os primatas não humanos (macacos, marsupiais) são os principais reservatórios e hospedeiros do vírus, sendo o homem um hospedeiro acidental.

A fonte de infecção na febre amarela urbana é o mosquito Aedes aegypti infectado (o mesmo mosquito transmissor do vírus da dengue). Na febre amarela silvestre a fonte de infecção são mosquitos de hábitos eminentemente silvestres, sendo a espécie Haemagogus a que mais se destaca no Brasil.

Na área urbana a febre amarela se transmite pela picada do mosquito Aedes aegypti previamente infectado ao picar um doente. A doença não se transmite por contato direto, nem por meio de objetos contaminados.

O período de incubação é muito curto, em média de três a seis dias após a picada do mosquito infectado. No mosquito o período de incubação é de nove a 12 dias. O sangue do doente é infectante para os mosquitos 24 a 48 horas antes do aparecimento dos sintomas, ou seja, de um a dois dias antes do início da febre e durante os três a cinco primeiros dias da doença. O mosquito infectado transmite o vírus por toda a vida (três a quatro meses).

Todos os indivíduos são suscetíveis, no entanto, a suscetibilidade é maior onde há abundância do mosquito vetor.

A imunidade adquirida pela doença e pela administração da vacina contra a febre amarela é duradoura. O lactente cuja mãe é imune apresenta imunidade até o sexto mês de idade. A vacina contra a febre amarela é administrada em dose única a partir dos nove meses de idade. A imunidade tem a duração de 10 anos em função do que reforços adicionais são feitos a cada 10 anos. Quando a pessoa tem que se deslocar para áreas de risco de transmissão da doença, em razão de trabalho ou lazer, a vacina deve ser aplicada, no mínimo, 10 dias antes do deslocamento.

Para entrar no Brasil não há exigência do Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia, no entanto, para aqueles que se destinam a áreas de mata das regiões consideradas de riscos, não vacinados ou vacinados há mais de 10 anos, é recomendada a vacinação. Aos brasileiros que se destinam a outros países a exigência do Certificado segue as recomendações da OMS, conforme estabelecido no Regulamento Sanitário Internacional 2005. Com relação às regiões de risco no Brasil, o caráter dinâmico da transmissão da febre amarela silvestre requer a avaliação periódica das áreas onde circula o vírus, para as quais será recomendada a vacinação. A informação atualizada sobre essas áreas, onde está recomendada a vacinação, está disponível no site do Ministério da Saúde.

Clique aqui para acessar as Áreas consideradas de Risco para a Febre Amarela Silvestre. 

 

Referência: 

  • Bahia. Secretaria da Saúde. Superintendência de Vigilância e Proteção da Saúde. Diretoria de Vigilância Epidemiológica. Coordenação do Programa Estadual de Imunizações. Manual de procedimento para vacinação. Salvador: DIVEP, 2011.

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