Especificidade para Antígenos e Memória Imunológica – Ativação dos Linfócitos B (Imunidade Humoral) e Linfócitos T (Imunidade Celular) na produção de Anticorpos e Citocinas

Ativadas após a interação de moléculas coestimulatórias e a identificação do antígeno apresentado pelas APC – células apresentadoras de antígenos, via complexo principal de histocompatibilidade (MHC) classe I (que apresenta antígenos de patógenos intracelulares) e II (que apresenta antígenos de patógenos extracelulares), as células da imunidade adaptativa tornam-se aptas a reconhecer uma multiplicidade de moléculas diversas e ao mesmo tempo, “lembrar-se” de um encontro anterior com mesmo patógeno (MALAGUTT, 2011; PARHAM, 2011).

As células apresentadoras de antígenos são principalmente as células dendríticas, os macrófagos e os linfócitos B, que atuam a partir das fases iniciais do processo inflamatório. Segundo Parham (2011, p. 72) “os receptores das células B e T são as proteínas que formam a base da imunidade adaptativa”.

Os linfócitos B têm origem e amadurecem na medula óssea e apresentam em sua superfície moléculas de imunoglobulinas (anticorpos) capazes de fixar um único antígeno específico. Os linfócitos B são as únicas células capazes de produzir anticorpos. Eles reconhecem antígenos extracelulares (incluindo os que se encontram na superfície celular) e se diferenciam em células secretoras de anticorpos, funcionando, assim, como mediadores da imunidade humoral. Quando uma célula B encontra pela primeira vez um antígeno para o qual está predeterminada, começa a proliferar rapidamente, gerando células B de memória e células B efetoras ou plasmócitos (BRASIL, 2006; ABBAS, LICHTMAN & PILLAI, 2008).

Os anticorpos ou imunoglobulinas (Ig), moléculas produzidas em resposta à presença de um antígeno, são capazes de sinalizar o patógeno ao sistema imunológico (processo chamado de opsonização), inativar/neutralizar os sítios de infecção do patógeno (processo chamado de neutralização), bem como ativar o sistema complemento responsáveis pela destruição celular (MALAGUTTI, 2011). Brunner e Suddarth (2009) destacam que o corpo produz cinco tipos distintos de imunoglobulinas (Ig): IgA, IgD, IgE, IgG, e IgM.

A classificação baseia-se na estrutura química e no papel biológico de cada imunoglobulina, onde sua produção está vinculada a idade, ao tipo de antígeno, a sua via de introdução e a experiência prévia ou não com o mesmo antígeno, funcionado como anticorpos destinados a bloquear os antígenos que atingem o corpo, como os existentes em bactérias, vírus, toxinas, alérginos e vacinas. (BRASIL, 2006; BRUNNER E SUDDARTH, 2009).

As principais características estão resumidas no quadro abaixo.

imunoFonte: Brunner e Suddarth, 2009, p.1515.

Já os linfócitos T, as células de imunidade celular, reconhecem os antígenos de micro-organismos intracelulares, destruindo-os ou destruindo as células infectadas. Elas não produzem anticorpos, apresentando apenas especificidade restrita para antígenos, ou seja, atacam diretamente os invasores estranhos. Apesar de também se originarem na medula óssea, amadurecem no timo, onde passam a apresentar em sua membrana celular, receptores denominados receptores de células T, também específicos para um único antígeno. (MANUAL CRIE, 2006; ABBAS, LICHTMAN & PILLAI, 2011).

As células T incluem as células T Efetoras, que se dividem em células T auxiliares/helper (Th) e células T citotóxicas/citolíticas (Tc), as células T Supressoras e as células T de Memória. As células Th (auxiliares) quando ativadas liberam citocinas, que atraem a ativam outras células do sistema imune. Já as células Tc (citotóxicas), atacam diretamente os antígenos, modificando a estrutura celular e provocando a lise. (BRUNNER E SUDDARTH, 2009).

Os linfócitos CD4 e os linfócitos CD8 respectivamente são dotados de glicoproteínas que surgem na membrana celular das células Th e Tc.

Os linfócitos T e B, conforme descrito no Manual do CRIE (2006, p. 25) “reconhecem sítios dos antígenos denominados determinantes antigênicos ou epítopos”. Sendo esses, os sítios imunologicamente ativos do antígeno, ou seja, aqueles que se fixam aos receptores das células B ou T. Desta forma, os receptores dos linfócitos T, encarregados da defesa primária do organismo, só podem reconhecer aqueles que sejam apresentados na membrana celular junto com as proteínas do complexo maior de histocompatibilidade (MHC), diferentemente dos linfócitos B que podem identificar os determinantes antigênicos diretamente.

O sistema imune variavelmente ataca os antígenos de origem intracelular (endógenos) e extracelular (exógenos). Os antígenos extracelulares são internalizados e processados somente pelas células apresentadoras de antígenos e eliminados com a participação de anticorpos e dos mecanismos inespecíficos, enquanto os antígenos intracelulares são processados por quase todas as células do corpo, inclusive as células apresentadoras de antígenos e eliminados pelos linfócitos T citotóxicos, além dos anticorpos e dos mecanismos inespecíficos (BRASIL, 2006).

Mesmo diante das conceituações explicitadas de forma simplória, deve-se considerar que há colaboração entre os distintos ramos da imunidade – celular e humoral. No entanto, evidencia-se que as condições que provocam respostas de linfóticos T citotóxicos também provocam respostas de tipo humoral. Já, os estímulos antigênicos que induzem resposta humoral não provocam obrigatoriamente resposta de tipo citotóxica.

 

Referências: 

  • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Manual dos centros de referência para imunobiológicos especiais – Brasília: Ministério da Saúde, 2006.
  • PEAKMAN, M. & VERGANI D. Imunologia: básica e clínica – Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.
  • FORTE, W. C. N. Imunologia: do básico ao aplicado. 2.ed. Porto Alegre: Artmed, 2007. 364 p.
  • GUYTON, A.C.; HALL, J.E. Tratado de fisiologia médica. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.
  • MALAGUTTI, W. (Organizador). Imunização, imunologia e vacinas. Rio de Janeiro: Rubio, 2011.
  • MURPHY, K.; TRAVERS, P.; WALPORT, M. Imunobiologia de Janeway. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2010. 885p
  • ABBAS, A. K.; LICHTMAN, A.H. & PILLAI, S. Imunologia Celular e molecular. 6 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.