Vacinas

O objetivo da imunização é a prevenção de doenças. Para que se possa compreender a complexidade técnica envolvida no ato de imunizar um indivíduo é importante estar atento a alguns itens:

  • Triagem criteriosa;
  • Registros (cartão de vacina, boletim de doses aplicadas, produção diária/estatística, livro, espelho ou contra-arquivo);
  • Higienização das mãos;
  • Utilização de materiais descartáveis/descarte adequado;
  • Reconstituição de soluções apresentadas sob a forma liofilizada (atenção especial à BCG).

 

Vacinação e imunização são sinônimos?
Não. Vacinação significa a aplicação de vacinas. Imunização tem um sentido mais amplo e está conotada com o processo de aquisição de imunidade ou proteção contra doenças, quer por vacinação (imunização ativa) quer por administração de anticorpos (imunização passiva).

 

O QUE SÃO VACINAS

De acordo com Brunner e Suddarth (2009, p. 2106), “as vacinas são suspensões de preparações de antígeno, destinados a produzir uma resposta imune humana para proteger o hospedeiro contra futuras exposições ao micro-organismo”.

AGENTES IMUNIZANTES

Bactérias ou vírus vivos atenuados, vírus inativados, bactérias mortas e componentes de agentes infecciosos purificados e/ou modificados quimicamente ou geneticamente.

Vacina inativada: composta por bactérias ou vírus mortos, derivados de agentes infecciosos purificados e/ou modificados química ou geneticamente.

Vacina atenuada: bactérias ou vírus vivos enfraquecidos, atenuados por múltiplas passagens em culturas de células. Estas vacinas desenvolvem uma “infecção” e não devem ser aplicadas em gestantes pelos riscos ao feto.

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COMPOSIÇÃO

LÍQUIDO DE SUSPENSÃO: constituído geralmente por água destilada ou solução salina fisiológica, podendo conter proteínas e outros componentes originários dos meios de cultura ou das células utilizadas no processo de produção das vacinas;

CONSERVANTES, ESTABILIZADORES E ANTIBIÓTICOS: representados por pequenas quantidades de substâncias antibióticas ou germicidas necessárias para evitar o crescimento de contaminantes (bactérias e fungos); estabilizadores (nutrientes) são adicionados a vacinas constituídas por agentes infecciosos vivos atenuados.

ADJUVANTES: compostos contendo alumínio são comumente utilizados para aumentar o poder imunogênico de algumas vacinas, amplificando o estímulo por esses agentes imunizantes (toxoide tetânico e toxoide diftérico).

 ORIGEM

Laboratórios nacionais e estrangeiros produzem as vacinas utilizadas no Brasil. Por isso, eventualmente as vacinas apresentam diferenças em seu aspecto (presença de floculação) ou na coloração (vacina contra sarampo, após reconstituição, pode variar do amarelado ao róseo).

 CONSERVAÇÃO

As vacinas precisam ser armazenadas e transportadas de acordo com as normas de manutenção da rede de frio, as quais deverão ser seguidas rigorosamente. Nenhuma vacina deve ser exposta à luz solar direta.

Clique aqui para acessar Conservação de imunobiológicos: organização interna do refrigerador do tipo doméstico.

  VIAS DE ADMINISTRAÇÃO

Para cada agente imunizante há uma via de administração recomendada, que deve ser obedecida rigorosamente. Caso isso não seja atendido, podem resultar em menor proteção imunológica ou maior frequência de eventos adversos. Ex.: As vacinas que contêm adjuvantes (DTP), se aplicadas via SC podem provocar abscessos. O mesmo pode ocorrer se a BCG for aplicada por via SC.

Vias de administração das vacinas

http://www.slideshare.net/institutoconscienciago/aula-programa-nacional-imunizacao-concurso-ipasgo-parte-01-de-03

VIA ORAL - A solução é introduzida na cavidade oral e é utilizada para substâncias que são absorvidas no trato gastrintestinal. IndicaçãoVOP (Sabin) e Rotavírus.

VIA INTRADÉRMICA - A solução é introduzida na camada superficial da pele e a absorção é mais lenta. Indicação: Vacina BCG, 0,1 ml, na inserção do músculo deltoide direito; Teste PPD, na face anterior do antebraço esquerdo.

VIA SUBCUTÂNEA - Também tem lenta absorção, pois se trata de um tecido menos irrigado geralmente indicada para vacinas de vírus atenuado. Indicação: Vacinas contra sarampo, caxumba, rubéola, varicela e febre amarela.

VIA INTRAMUSCULAR - Utilizada para administração de soluções irritantes com volume máximo de 5 ml em adultos; em crianças, 0,5 a 1 ml, no deltoide é considerado seguro. Tem rápida absorção porque é uma região bastante vascularizada. Indicação: Tríplice bacteriana (DTP) Dupla bacteriana adulto ou infantil (dT/DT) Haemophilus influenzae tipo B, (Hib), Hepatites A e B, Meningocócica, pneumocócica, HPV, entre outras.

 

OBSERVAÇÕES IMPORTANTES

 

  • VACINAÇÃO COMBINADA -  Dois ou mais agentes imunobiológicos são administrados numa mesma preparação (Ex.: tríplice, dupla, etc).

vacinas combinadas

  • VACINAÇÃO ASSOCIADA  – As vacinas são misturadas no momento da aplicação (Ex.: determinadas marcas de vacinas contra Haemophilus influenzae do tipo B  e  vacina Tríplice – DTP).
  • VACINAÇÃO SIMULTÂNEA  -  Duas ou mais vacinas são administradas em diferentes locais ou por diferentes vias num mesmo atendimento. Em relação às vacinas incluídas no PNI, as aplicações simultâneas possíveis não aumenta a frequência e a gravidade dos eventos adversos e não reduzem o poder imunogênico que cada componente possui quando administrado isoladamente.
  • VACINAÇÃO COM VÍRUS VIVOS ATENUADOS – Quando não administrados em vacinação simultânea, deve-se aguardar um espaço mínimo de 15 dias para nova administração (para não prejudicar a resposta imunológica). Somente no caso da vacina anti-poliomielite não é necessário esperar o espaço mínimo entre as demais vacinas.
  • VACINAÇÃO COM VACINAS DE VÍRUS VIVOS -  Evitar a gravidez durante 1 mês.
  • GESTANTES -  Não devem ser vacinadas com vacinas “vivas” ( sarampo, BCG, rubéola, caxumba e febre amarela).
  • PACIENTES COM AIDS  -  Se o paciente for portador do vírus HIV e for assintomático, deverá receber as vacinas do PNI.  Se o paciente for portador do vírus HIV e for sintomático (com AIDS) deve-se evitar as vacinas “vivas”, principalmente BCG (que é contraindicada).

 

ATENÇÃO!

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Referências: 

  • SMELTZER, S. C.; BARE, B.G.; HINKLE, J.L.; CHEEVER, K.H. Brunner e Suddarth: Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 13 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009.
  • Governo do Estado de São Paulo. Secretaria de Estado da Saúde. Coordenadoria de Controle de Doenças . Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac”. Norma técnica do programa de imunização/Brigina Kemps [et al.] - São Paulo: CVE, 2008.

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